Por Ronald Dauscha – presidente executivo da FNQ

Neste ano, a FNQ comemora 35 anos de existência e o Brasil enfrenta, historicamente, desafios relevantes para sempre ampliar sua competitividade e produtividade. Em um ambiente marcado por transformações tecnológicas aceleradas, mudanças nos modelos de negócio e maior pressão por resultados cada vez mais sustentáveis, a gestão organizacional assumia papel cada vez mais estratégico para o desenvolvimento econômico e social do País.

Mas dados do Fórum Econômico Mundial indicam que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais para melhorar sua competitividade global. E no Relatório de Competitividade Global mais recente, o País ainda aparece atrás de economias que apresentam maior maturidade em fatores como eficiência organizacional, inovação e ambiente de negócios, elementos diretamente relacionados à qualidade das práticas de gestão adotadas pelas organizações.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produtividade do trabalho no Brasil apresentou crescimento limitado nas últimas décadas, corroborado por estudos do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), que apontam que o avanço médio da produtividade brasileira tem sido inferior ao observado em países desenvolvidos, o que impacta diretamente a capacidade de crescimento econômico sustentável.

Além disso, um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indica que empresas que investiram em práticas estruturadas de gestão, inovação e qualificação de lideranças apresentaram maior desempenho em produtividade e maior capacidade de adaptação a mudanças econômicas e tecnológicas.

Nesse contexto, a maturidade da gestão passa a ser reconhecida como um diferencial competitivo essencial. Organizações que estruturam seus modelos de liderança, estratégia, governança, inovação e orientação a resultados tendem a responder com maior agilidade às mudanças do ambiente externo e a construir resultados sustentáveis ao longo do tempo.

Ao completar 35 anos de atuação em 2026, a FNQ acompanha de perto essa constante transformação e reafirma seu compromisso com o desenvolvimento da gestão nas organizações brasileiras. Ao longo de sua trajetória, a Fundação tem contribuído para a disseminação de conhecimento, metodologias e boas práticas que apoiam organizações de diferentes portes e setores em suas jornadas de evolução.

Entre essas contribuições está o Modelo de Excelência da Gestão® (MEG), referência conceitual que auxilia organizações na avaliação e no aprimoramento de suas práticas gerenciais, considerando dimensões como liderança, estratégia, clientes, sociedade, pessoas, processos e resultados. Ao promover uma visão sistêmica da gestão, o modelo contribui para a construção de organizações mais preparadas para enfrentar desafios complexos e gerar valor de forma sustentável.

Outro aspecto relevante para o fortalecimento da competitividade brasileira está na disseminação de boas práticas organizacionais. Iniciativas como o Melhores em Gestão®, um programa que estimula o compartilhamento de experiências e aprendizados entre organizações, fortalecendo o ecossistema de gestão e contribuindo para a evolução contínua das práticas organizacionais no País.

A transformação digital, especificamente a Inteligência Artificial, a agenda ESG, a NR1 e a necessidade de modelos organizacionais mais ágeis têm ampliado a complexidade das decisões estratégicas. De acordo com pesquisa global da consultoria McKinsey, organizações que adotam práticas estruturadas de gestão e governança apresentam maior capacidade de adaptação a mudanças, maior resiliência em períodos de crise e melhores resultados financeiros no longo prazo.

Ao celebrar seus 35 anos, a FNQ reforça a convicção de que o fortalecimento da gestão é um caminho essencial para o desenvolvimento das organizações brasileiras e, consequentemente, para o avanço econômico e social do País. Mais do que se revisitar sua trajetória, este é um momento de ampliar o debate sobre como líderes e organizações podem se preparar para um ambiente cada vez mais desafiador, interconectado e orientado à geração de valor sustentável.

 

Fontes

  • Fórum Econômico Mundial – Global Competitiveness Report
  • IBGE – Indicadores de produtividade do trabalho
  • Observatório da Produtividade Regis Bonelli – FGV IBRE
  • OCDE – Estudos sobre produtividade e gestão organizacional
  • McKinsey & Company – Pesquisas globais sobre governança e desempenho organizacional