Transformação cultural nas empresas é mais importante que a digital, diz presidente da FNQ

29/11/2018

Jairo Martins fala à Época Negócios e afirma que a pressa na adoção de novas tecnologias leva à insustentabilidade do negócio

Fonte: Época Negócios on-line

 

Curso Gestão para Transformação, da FNQ
Curso gestão para Transformação, da FNQ

Quem não quer ser digital?

Na época da disrupção, da indústria 4.0 e da revolução nas comunicações, transformar digitalmente o próprio negócio se tornou prioridade para grande parte das empresas, seja qual for o ramo de atuação. Mas iniciar esse processo sem a devida organização e, principalmente, sem a mudança cultural necessária em companhias tradicionalmente “analógicas”, vai provavelmente levar a desperdício de tempo e de recursos, podendo comprometer a operação mais à frente. Essa é a visão de Jairo Martins, presidente executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que aponta o erro como o mais cometido pelas organizações na busca pela modernização.

“Virou uma febre falar de transformação digital. Mas ela é apenas uma das transformações necessárias, e a mais importante delas é a transformação cultural na organização. Se você não tiver uma cultura que possa enxergar os processos de mudança de forma sistêmica, não adianta nem comprar a tecnologia”, diz Jairo, cuja instituição auxilia, anualmente, cerca de 1 mil processos de melhoria de gestão em empresas, cooperativas e instituições sem fins lucrativos.

Criada em 1991, na época da abertura comercial brasileira, ainda sob o nome de Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, a FNQ nasceu de uma parceria entre 39 empresas de variados setores, com a finalidade de aumentar a qualidade da gestão dos negócios em estágio inicial. “Era o tempo em que o [Fernando] Collor chamava nossos carros de carroças”, lembra o presidente da instituição, que hoje tem mais de 300 filiados e executivos de empresas como Alelo, Caixa e KPMG, além de profissionais da Fundação Getúlio Vargas, em seu Conselho Curador.
Desde então, a organização não só mudou de nome como também atualizou seu conceito de atuação junto às organizações — passando de “gestão com qualidade” para “qualidade da gestão” e, mais recentemente, para “gestão para transformação” dos negócios. Termo que designa um processo necessário, mas cheio de armadilhas, segundo o executivo. E que engloba, segundo ele, diversas transformações menores, sendo a tecnológica o complemento final.

“Primeiro de tudo, é olhar para o cliente: ver o que ele precisa, como o mercado vem mudando e como a experiência do cliente pode ser melhorada. Com base nisso, você define quais processos precisa e qual o melhor modelo de negócio. E inicia a mudança pelas pessoas e a cultura da empresa. Depois é que chega a tecnologia, que vem para dar produtividade e competitividade para a organização”, diz.

Como enfrentar o mundo VUCA

O presidente da FNQ admite, porém, que a velocidade das transformações acaba sendo determinada pela revolução tecnológica em curso, e não permite que a gestão empresarial se dê por processos estáticos e estáveis, como costumava acontecer. “A melhoria contínua da gestão não é mais suficiente. Precisamos que haja transformações constantes, porque os cenários mudam muito rapidamente em qualquer mercado”, afirma.

Por isso, a organização alterou, em seu reposicionamento, o modelo de gestão oferecido às empresas. Nesse processo, retomou um conceito que vem do final da década de 1980, mas que tem sido repaginado pelas escolas de negócios para o atual momento de disrupção: o mundo VUCA (as iniciais dos termos em inglês para Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade).

O modelo se baseia em cenários em que os resultados variam muito em pouco tempo; não há clareza para se estabelecer tendências futuras; muitos fatores influenciam cada decisão tomada; e cada acontecimento pode ser interpretado de variadas formas.

Para atuar nesse mundo, a FNQ recomenda o foco em oito atributos (veja abaixo). Como no clássico tangram chinês, eles se movem conforme a importância de cada um aumenta ou diminui em determinados períodos. 

Fundamentos do MEG, da FNQ

Tão importante quanto assimilar o modelo, diz Jairo Martins, é a compreensão de que os resultados não devem levar em consideração apenas as finanças de curto prazo, mas também indicadores que atestem a sustentabilidade do negócio.

"É muito comum olhar demasiadamente para o lado financeiro, trabalhando em torno dos balanços. Mas isso leva as empresas a deixarem de investir no que precisam, o que faz com que a longo prazo elas não consigam se sustentar”, afirma. “Quem precisa capitanear isso é o líder da organização, senão não funciona”.

Embora tenha aumentado a procura das empresas brasileiras pela transformação da gestão nos negócios, os resultados obtidos ainda estão longe do ideal, nas palavras do executivo. Ou seja: há muita mudança cultural - e digital - a se fazer pelos negócios do País. 

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