Gestão de fornecedores e distribuição é tema do Fórum de Boas Práticas da FNQ

01/11/2017

Palestrantes abordaram temas como políticas públicas, gestão centralizada e compliance

A FNQ realizou, em 31 de outubro, seu tradicional Fórum de Boas Práticas da Gestão. O evento, neste ano, teve como tema “Gestão para excelência na cadeia de fornecedores e distribuição” e contou com a presença de representantes de grandes empresas, como Embraer, Volvo, Bradesco e Compliance Total e, também, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Abertura

Jairo Martins, presidente executivo da FNQ, abriu o evento, dando boas-vindas aos participantes e ressaltou a importância de compartilharmos nossos conhecimentos, especialmente dentro do contexto turbulento em que o Brasil está inserido. “Estamos em um momento de reconstrução do País e estamos aqui para mostrar que o Brasil pode crescer a partir de bons exemplos. Nossa causa é inspirar, mobilizar, capacitar e orientar as organizações para que busquem, continuamente, a excelência por meio da melhoria da sua gestão”, disse.

Em seguida, Paulo Chachap, CEO do Hospital Sírio Libanês, anfitrião do evento, falou sobre a busca contínua pela qualidade da gestão em ambientes hospitalares e afirmou: “um erro dentro do hospital pode ser fatal, ter uma metodologia consistente de gestão, apoiada em um ciclo de melhoria contínua, é essencial para nós. Além disso, qualquer diminuição de custo significa inclusão social, mais pessoas tendo acesso à medicina de alta qualidade. Um evento como este nos dá oportunidade de aprender para trazer mais eficiência para nossas operações, para que possamos aumentar a inclusão social”.

Políticas industriais e a gestão de fornecedores

Abrindo o circuito de palestras, Samy Moscovitch, especialista da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e líder do Projeto Automotivo da entidade, explicou que políticas públicas “são empreendimentos e ações governamentais complexos, desenhados para atender a uma demanda específica em ambientes compostos por diversos atores, geralmente com posições distintas, no qual todo mundo quer ser prioridade”.

Mocovitch afirmou que grande parte da dificuldade em criar políticas públicas industriais se dá pela complexidade da cadeia produtiva. Para se montar um carro, exemplificou, existem diversos níveis de fornecedores que podem estar em qualquer lugar do mundo, de pequenas a grandes empresas, as quais têm condições e ambientes específicos de operação, com situações financeiras diferentes. Samy falou, ainda, sobre as políticas públicas para a indústria automobilística - InovarAuto e Rota 2030 - e também sobre a Indústria 4.0 e o uso de novas tecnologias que revolucionam modelos de negócio, como o Uber.

Capacitação de fornecedores

A segunda palestra do dia foi ministrada pelo gerente de Suprimento Nacional da Embraer, Raul Eloy. Sob o tema “Programa de desenvolvimento da excelência na cadeia de fornecedores e seus benefícios”, discutiu a complexa cadeia de fornecedores da Embraer e como ela afeta os resultados financeiros da empresa.

Em 2007, de acordo com Raul, a Embraer teve recorde de vendas, mas seus lucros caíram 32%. Identificaram que parte dessas perdas foi pela ineficiência na cadeia de fornecedores. O executivo explicou que 28% de seus fornecedores eram empresas de alto risco, que não tinham estabilidade produtiva ou financeira, causando uma disruptura de abastecimento na Embraer. Para solucionar o problema, foi desenvolvido o Programa de Desenvolvimento da Embraer, uma iniciativa para disseminar conceitos da manufatura enxuta e melhoria contínua. A capacitação dos parceiros trouxe resultados extraordinários tanto para a Embraer como para os fornecedores.

Estratégia para seleção de fornecedores

Dando continuidade ao Fórum, Robson Moreira, gerente departamental de compras do Bradesco, ministrou a palestra “Gestão de fornecedores: a fronteira para uma estratégia vencedora”. Em sua fala, Moreira falou da importância em se ter uma estratégia para selecionar os fornecedores e explicou como um processo de cadastro, análise e homologação de parceiros deve ser centralizado.

Falou, também, que a gestão de fornecedores no Bradesco é baseada em quatro pilares: 1) Prospecção de fornecedores; 2) Homologação e qualificação; 3) Avaliação e desempenho; 4) Desenvolvimento e aprimoramento. E por fim, disse que precisamos investir em estratégia. “O gestor empresarial brasileiro não percebe valor na gestão de fornecedores porque o retorno é de longo prazo e de difícil mensuração - ainda estamos presos à cultura de curto prazo”, comentou.

Gerenciamento do fornecedor com foco no cliente

A palestra “Gestão para excelência na cadeia de distribuição” com Rodrigo Luís Padilha, vice-presidente de Logística de Serviços da Volvo, ressaltou a importância em se entregar valor para o cliente por meio de um produto ampliado e de serviços que o diferenciam da concorrência. Para atender aos altos padrões de qualidade dos serviços da Volvo, no entanto, é necessário ter uma gestão eficiente dos fornecedores.

Padilha explicou que a gestão de fornecedores e o foco na satisfação do cliente só são possíveis porque seu modelo de negócio é baseado nesses valores. “O modelo de gestão e produção da Volvo é focada em valores e princípios que são nossos pilares, cada pilar da gestão é traduzido em ações  e esse é um processo constante de renovação e aprimoramento, que garante nossa qualidade.”

Compliance e integridade na cadeia de fornecedores

Diego Galvão, diretor da Compliance Total, encerrou o circuito de palestras com o tema “Gestão de compliance para fornecedores”. O advogado começou sua sessão falando da crescente preocupação em se discutir e entender o que é compliance, “A atuação ética de fornecedores e terceiros é uma discussão que vem ganhando espaço. E com Lei Anticorrupção, a empresa que contrata organizações suspeitas é responsabilizada por seus atos ilícitos. Não é uma questão de quem tem culpa e sim de quem será responsabilizado pelos atos”. Comentou também que precisamos superar a cultura de pequenos ilícitos do dia a dia.

Galvão explicou os principais aspectos da Lei Anticorrupção e como as empresas podem ser responsabilizadas por atos ilícitos de seus fornecedores. Disse também que a melhor maneira de proteger sua organização de sofrer sanções da nova Lei é ter um programa de compliance eficiente e ativo. “Não pode ser uma política para ‘inglês’ ver, tem de ser efetiva, algo que possa provar que sua empresa se preocupou com a integridade de seus fornecedores”.

 

Loading
Comentários
Para escrever comentários, faça seu login ou conecte-se pelo Facebook ou Linkedin
Carregando... Loading
Carregando... Loading