A importância da liderança na criação de uma cultura ética

11/05/2017

Como fazer a ética acontecer, de fato, nas empresas?

O mundo empresarial exige que pensemos seriamente sobre uma questão simples, importante e frequentemente mal resolvida: é possível ser bem-sucedido nos negócios, alcançar bons resultados e, ao mesmo tempo, permanecer alinhado com valores éticos e morais? Para responder a essa pergunta, é preciso ter a disposição de responder às questões fundamentais sobre ética: até onde quero, até onde posso e até onde devo ir? 
 
A ética na prática
 
Acadêmicos e também administradores, em todos os cantos do mundo, dedicam um tempo apreciável a esclarecer uma questão: como fazer a ética acontecer, de fato, nas empresas? 
 
Em primeiro lugar, é preciso tirar os ideais éticos emoldurados em algum capítulo final ou anexo dos livros de administração e trazê-los para a vida prática.
 
Em segundo lugar, é necessário mudar nossas concepções de que liderança competente está impregnada de oportunismo. 
 
Finalmente, temos de sair da posição confortável de aguardar que primeiro o outro seja ético conosco para que, depois, receba o benemérito de nossa confiança. Inútil, porque a ética não admite bordões do tipo “confiar desconfiando”. 
 
Fortalecer o campo ético significa ver, na ética, uma ciência que possui seu domínio de know-how, cujos objetos podem ser experimentados e articulados no dia a dia de qualquer pessoa ou grupo. E também abandonar a ideia do bem e do mal como polaridades absolutas.
 
O papel da liderança 
 
Nas organizações, a tarefa de criar um ambiente favorável à ética é responsabilidade fundamental das lideranças.  À primeira vista, a situação nos convida a pensar uma ética da liderança, apoiada, se possível, em um conjunto robusto de códigos e regras morais que nos guie no dia a dia, apontando para o modo certo e o errado de liderar. Isso pode ser bom, mas, infelizmente, não é suficiente. 
 
Como a própria ética nos lembra, não existe lei ou regra que dê conta da má-fé quando ela estiver presente. Nesse caso, a liderança ética pode ser a nossa bússola. 
 
A diferença é sutil, mas importante. Ela diz respeito a renovar a reflexão sobre o certo e o errado, o justo e o digno em cada situação e fazer do exercício da liderança não somente um cumprimento de regras, mas a plena realização de uma responsabilidade. 
 
Significa atualizar, continuamente, a disposição de buscar o caminho correto. Em muitas situações, correr riscos, “colocar a própria cabeça a prêmio”, investir-se da coragem moral de mudar e saber que, em inúmeros casos, teremos também de sacrificar o ganho imediato, sendo oportunos, mas não oportunistas. 
 
Nas trilhas da liderança ética 
 
Líderes formatam a cultura organizacional tanto formal quanto informalmente. Há uma responsabilidade implícita em seus papéis no sentido de criar, manter ou mudar sistemas culturais e, também, todo o tempo, no que dizem, fazem ou apoiam dentro da empresa. Pode-se afirmar que os líderes personificam os valores organizacionais, ou seja, são legítimos representantes do que as empresas, de fato, desejam e das crenças que efetivamente colocam em ação em suas operações.
 
No que diz respeito ao compromisso com valores e princípios éticos, cabe plenamente aos líderes empresariais a máxima: “Não basta ser a mulher de César... tem de parecer ser a mulher de César”. 
 
E todo o cuidado em atuar de modo exemplar é pouco, não importa a posição na hierarquia de poderes. Cabe a todos os executivos seniores e a seus prepostos diretores e gerentes desenvolver uma reputação de liderança ética dando visibilidade - por meio de exemplo - a atitudes e comportamentos éticos. E faz parte do desafio cuidar da disseminação dessas condutas exemplares por toda a cadeia organizacional.
 
Portanto, a liderança ética depende muito de um esforço dos gestores de conquistar e manter ativas a disposição das pessoas e equipes para cultivar hábitos orientados por valores e princípios éticos. 
 
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