Jovens reúnem-se para criar uma iniciativa de educação política

Ex-integrantes do Brasil Junior trabalham em uma plataforma que pretende reunir conhecimento de alta qualidade sobre o que há de mais importante para ser um cidadão consciente e engajado com a transformação do País

Com o objetivo de ajudar a preencher a lacuna no sistema educacional, Marcus Barão e Diego Calegari, ex-integrantes do Brasil Junior, estão trabalhando na iniciativa Politize!, uma ferramenta onde você encontrará conhecimento sobre o sistema político, de forma fácil e divertida. 
 
Confira a entrevista que fizemos com eles!
 
Como surgiu a ideia do Politize!?
 
A partir das manifestações de 2013, percebemos uma mudança: uma geração que, desde seu nascimento ou infância, nunca havia visto na política um meio de transformar a realidade, começou perceber que era uma parte ativa (e protagonista, de certo modo) no processo político. Mais do que as manifestações em si, as suas reivindicações e a sua forma de operação, o que ficou foi uma mudança na percepção sobre a política e um crescimento - ainda tímido, mas notável - do interesse dos jovens pelo assunto. Percebemos que era uma oportunidade: unir a carência gritante de conhecimento com o interesse crescente e o potencial de escala da internet para fazer algo novo e com impacto em todo o País. Assim nasceu o Politize!
 
Como a educação política da população brasileira pode auxiliar na melhora da gestão do País?
 
Somos todos, de certa maneira, ao mesmo tempo acionistas, clientes e gestores de uma grande instituição chamada Brasil. Sem participação cidadã no processo político, ele fica relegado a uma elite que, consequentemente, acaba tomando decisões mais em benefício próprio do que daqueles que são os verdadeiros "donos" da coisa pública. É como se, em uma empresa, gestores estabelecem políticas de todo tipo sem consultar o corpo de acionistas ou ouvir satisfações dos clientes e demandas do mercado. As consequências são óbvias: uma organização dirigida pelo propósito do benefício dos seus gestores, não dos seus share/stakeholders.
 
Maior educação política significa fortalecimento da participação e isso, por sua vez, significa maior accountability (responsabilização e prestação de contas). A população que compreende seus direitos e deveres, bem como os direitos e deveres do Estado, é uma população capaz de pressionar a máquina pública para maior eficiência e eficácia.
 
No projeto, vocês mencionam que existe uma enorme lacuna no nosso sistema educacional, qual seria ela? 
 
Brinco sempre que a ignorância política é o que existe de mais democrático no Brasil: transcende classe, cor, religião e até mesmo escolaridade, na medida em que temos pós-graduados que não sabem a diferença entre um vereador e um deputado. Isso se deve, por um lado, pela ausência do conteúdo sobre o assunto nos currículos na educação básica; por outro, pela baixa cultura de participação e debate. Assim, temos uma lacuna que é tanto social, quanto institucional. Precisamos superá-la, com urgência. 
 
Como vocês pretendem transformar a política em algo fácil e divertido?
 
Primeiro, pela linguagem, mais simples e acessível, sem sofisticações na forma. Segundo, pelo formato. Geralmente, conteúdos de qualidade sobre o sistema político estão em textos longos, maçantes, que assustam e afastam as pessoas comuns. Ou então, vêm de fontes consideradas suspeitas, com intenções de convencer ao invés de educar. Nós vamos traduzir e veicular esse conteúdo em mídias mais agradáveis, como infográficos, vídeos e games, tornando ao mesmo tempo mais atrativo e mais didático, uma vez que o prazer da experiência intensifica o aprendizado.
 
Qual a importância do engajamento de entidades, como a FNQ, na divulgação do Politize!?
 
Total. Nosso trabalho é, desde a essência, em rede. Não só na divulgação, mas também na operação em desenvolvimento. Estamos em parceria com diversas instituições, que trabalham com engajamento e formação de jovens - como AIESEC, Movimento Empresa Júnior - articulação política e participação cidadã - como Cidade Democrática e Instituto Atuação - e propriamente educação política e governamental - como o CETEM-SC, o Bê-a-Bá do Cidadão e o Instituto Pvblica. A FNQ, sem dúvida, vem somar muito a esse time, como instituição que tanto já fez e continua fazendo para promover a excelência em gestão em organizações públicas e privadas em todo o Brasil.
 
Vocês acreditam ser possível, realmente, falar de política, políticas públicas, gestão organizacional pública e privada de maneira apolítica e apartidária?
 
Apartidária sim, apolítica não. Precisamos ressignificar o termo "política", pois todos somos políticos de uma forma ou de outra. Gente que diz desprezar a política está se manifestando politicamente, mesmo que não queira. Gente que vota nulo ou branco está se posicionando politicamente, mesmo que não goste. Política faz parte da vida diária de todos nós, gostemos ou não. O Politize! vem para ajudar o cidadão a reconhecer isso e estar preparado para atuar de forma qualificada nesse contexto.
 
A imparcialidade será garantida pela isonomia de visões, quando houver muitas sobre um mesmo assunto. Não obstante, boa parte do que pretendemos explorar nesse primeiro momento não se trata de posicionamento, mas de fatos. Explicar como funciona o sistema eleitoral, o financiamento de campanha, o processo de elaboração de leis e assuntos afins pode ser feito sem que um posicionamento seja tomado. Isso é uma abordagem educativa: explica e, quando pertinente, mostra as diferentes visões sobre o assunto e dá ao "aluno" a oportunidade de escolher o que julga melhor para si e para o País.
 
Como as pessoas podem ajudar e participar do projeto Politize!?
 
Três formas, simples: 
1) fazendo uma contribuição na nossa campanha de financiamento coletivo, no seguinte endereço: http://www.catarse.me/pt/politize
2) curtindo e divulgando nossa fan page (https://www.facebook.com/portalpolitize) e nosso site (www.politize.com.br);
3) por fim, compor a equipe de produção de conteúdo ou contribuir de mais alguma maneira, entrando em contato por contato@politize.com.br.
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